Bruxelas / Washington — As viagens de longa distância estão se tornando mais restritas em 2026, e a competição por um número menor de viajantes, mais cautelosos, está expondo uma lacuna crescente entre a Europa e os Estados Unidos. Novos dados da Comissão Europeia de Viagens (ETC) Isso confirma que a demanda não está em colapso, mas sim a confiança. E, nesse cenário, a política deixou de ser um mero ruído de fundo e passou a influenciar ativamente a escolha do destino.
O Barômetro de Viagens de Longa Distância da ETC (Onda 1/2026) mostra que a intenção global de viagens de longa distância caiu para 59%, uma queda de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. A Europa continua sendo considerada por 42% dos viajantes, mas a sensibilidade a preços, o tempo limitado de férias e a ansiedade geopolítica estão tornando os viajantes mais seletivos — e muito menos tolerantes à incerteza.
O “Fator Trump”: da política aos riscos de viagem
No setor turístico global, o “fator Trump” tornou-se uma abreviação para volatilidade da políticaA visibilidade renovada de Donald Trump reacendeu as preocupações em torno da retórica sobre imigração, do controle de fronteiras, da política de vistos e da relação mais ampla dos Estados Unidos com o mundo.
Para viajantes internacionais, principalmente da Ásia e da América Latina, a questão não é ideologia, mas sim atrito. As decisões de viagem dependem da previsibilidade: regras de entrada, experiência no aeroporto, acesso à saúde e a probabilidade de as políticas permanecerem estáveis desde a reserva até a chegada. Em 2026, os Estados Unidos são cada vez mais percebidos como um destino de alto retorno, mas de alto risco — atraente, mas incerto administrativa e politicamente.
A vantagem da Europa: a estabilidade volta a ser um fator de venda
A Europa beneficia-se diretamente dessa mudança. Em todos os mercados de origem de viagens internacionais, segurança e estabilidade figuram como os principais fatores de decisão — e a Europa consistentemente obtém a pontuação mais alta. Continuidade política, forte proteção ao consumidor, infraestrutura confiável e regras de viagem transparentes deixaram de ser considerações secundárias e se tornaram vantagens competitivas decisivas.
Embora a Europa enfrente seus próprios desafios — inflação, superlotação em destinos turísticos populares e pressão por sustentabilidade — ela oferece algo que muitos viajantes agora priorizam acima de tudo: confiança de que as regras não mudarão da noite para o dia.

Essa diferença de percepção entre a Europa e os EUA está aumentando.
Trump Tower Belgrado: Quando Política, Branding e Turismo se Encontram
O “fator Trump” não se limita às fronteiras dos EUA. Ele também se manifestou diretamente no cenário do turismo e do desenvolvimento europeu. Planos para um Trump Tower Belgrado — um projeto de hotel de luxo e residencial ligado aos interesses da família Trump — tornou-se um dos empreendimentos turísticos mais controversos da região em 2025.
A proposta visava a revitalização do antigo edifício do Estado-Maior de Belgrado, um local danificado durante ataques aéreos da OTAN e considerado de grande importância simbólica e histórica. Embora as autoridades sérvias tenham promovido o projeto como um catalisador para o turismo e o investimento, ele desencadeou protestos em massa, contestações judiciais e acusações de favorecimento político e violações do patrimônio histórico. Sob crescente pressão pública e investigações oficiais, os empreendedores ligados a Trump acabaram desistindo do projeto.
Para a indústria de viagens, o episódio tornou-se um alerta: a associação excessiva de marcas a figuras políticas controversas pode transformar rapidamente projetos turísticos em focos de tensão geopolítica. Para alguns viajantes de longa distância, a controvérsia reforçou a preocupação de que a política — e não o planejamento — esteja moldando cada vez mais os ambientes de viagem.
Os Estados Unidos vencem em casa — mas perdem terreno no exterior.
Ironicamente, a mesma dinâmica que perturba os viajantes internacionais está fortalecendo o turismo doméstico no país. Estados UnidosOs americanos estão ficando mais perto de casa, apoiados por um marketing agressivo de destinos, programas de fidelidade e ampla conectividade aérea. Para destinos nos EUA, a demanda doméstica em 2026 permanece robusta.
Internacionalmente, porém, o cenário é menos favorável. Agentes de viagens relatam ciclos de reservas mais lentos, itinerários mais curtos e hesitação entre os viajantes de primeira viagem. A Europa, por outro lado, está atraindo viajantes em busca de experiências de longa duração, sem ambiguidade política ou receio de entrar no país.
Isto não é um boicote. É evitar riscos.
O comportamento de reserva confirma a mudança.

Até o momento, apenas um terço dos viajantes de longa distância reservou viagens para 2026. Os pacotes turísticos completos estão em declínio. Flexibilidade é essencial. Os viajantes querem cancelamentos fáceis, menos complicações nas fronteiras e destinos com procedimentos administrativos descomplicados.
A complexidade multinacional da Europa já foi um obstáculo. Em 2026, sua coerência regulatória, neutralidade percebida e estabilidade institucional estão se tornando vantagens — especialmente quando contrastadas com a imagem dos EUA, marcada pela polarização e por mudanças abruptas de políticas.
A realidade competitiva para 2026
A corrida global do turismo já não é ganha apenas pelas atrações. Ela é ganha pela combinação de fatores. trust.
A Europa está se posicionando como a “escolha segura” em um mundo instável.
Os Estados Unidos continuam sendo a “escolha empolgante” — mas cada vez mais com condições atreladas.
Com o aumento da cautela dos viajantes em viagens de longa distância, a questão crucial deixou de ser Para onde eu mais quero ir? mas a Onde parece menos provável que algo dê errado?
Em 2026, essa questão aponta cada vez mais para a Europa.




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