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A IATA insta a UE a rever o sistema de comércio de emissões para proteger a competitividade da aviação.

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Escrito por Jürgen T Steinmetz

A IATA está a apelar à União Europeia para que reveja o seu Sistema de Comércio de Emissões, alertando para os riscos que este acarreta para a competitividade e conectividade da aviação. A associação defende a implementação integral do CORSIA, reformas no mercado de Combustíveis Sustentáveis ​​para Aviação (SAF) e o reinvestimento das receitas do SCE para apoiar a descarbonização, mantendo simultaneamente a resiliência económica num contexto global instável.

Bruxelas, 19 de março de 2026 - O Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) A União Europeia solicitou que reveja o seu Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS), alertando que o atual quadro poderá comprometer a conectividade aérea e a resiliência económica da Europa, ao mesmo tempo que aumenta o custo e a complexidade dos esforços de descarbonização.

O apelo surge em meio à crescente preocupação dos líderes da UE com a eficácia do sistema e seu impacto na competitividade global do bloco — preocupações que ecoam no Relatório Draghi, que destaca a complexidade regulatória, os altos custos e o subinvestimento como principais obstáculos ao crescimento econômico. Em um contexto de instabilidade geopolítica e interrupções nas cadeias de suprimentos, a IATA argumenta que uma forte conectividade aérea continua sendo essencial para a posição global da Europa.


Um apelo à harmonização global

No cerne da proposta da IATA está a implementação integral do Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional (CORSIA), uma estrutura global de emissões acordada no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

A IATA está a instar a UE a aplicar o CORSIA de forma uniforme a todos os voos internacionais, incluindo rotas dentro do Espaço Económico Europeu (EEE), e a evitar desvios regionais que possam fragmentar o mercado.

Segundo a associação, a sobreposição de medidas regionais não só aumenta a burocracia, como também enfraquece a eficácia da ação climática coordenada globalmente. Uma abordagem harmonizada, livre de restrições de elegibilidade específicas da UE, proporcionaria às companhias aéreas um ambiente regulatório previsível e consistente, garantindo, ao mesmo tempo, reduções de emissões credíveis em todo o mundo.


Impulsionando o combustível de aviação sustentável por meio da reforma do mercado.

Outra recomendação central é a introdução de um sistema de "reserva e reclamação" para Combustível de Aviação Sustentável (SAF) no âmbito do EU ETS.

Tal sistema permitiria às companhias aéreas reivindicar benefícios ambientais com base nas compras de SAF (Combustível de Aviação Sustentável), independentemente de onde o combustível seja fisicamente utilizado. A IATA argumenta que essa flexibilidade é crucial para ampliar a adoção do SAF em toda a Europa, especialmente para as companhias aéreas que operam fora dos principais centros de abastecimento de combustível.

Ao viabilizar um mercado de SAF transparente e líquido, o mecanismo poderia reduzir custos, aumentar a segurança dos investimentos e garantir condições equitativas para todos os operadores. A implementação exigiria atualizações nas regras do EU ETS e melhorias no Banco de Dados da União para rastrear tanto o combustível físico quanto seus atributos ambientais, evitando a dupla contagem.


Redirecionando bilhões para a descarbonização

Com a eliminação gradual das licenças de emissão gratuitas para a aviação em 2024, as companhias aéreas enfrentam um aumento significativo nos custos de conformidade. A IATA estima que o setor renunciará a quase 330 milhões de licenças entre 2026 e 2030, gerando bilhões de euros em receita para os Estados-membros da UE.

No entanto, apenas uma pequena fração desses fundos é atualmente reinvestida em iniciativas de descarbonização da aviação.

A IATA defende que uma maior parte das receitas do EU ETS seja reinvestida no setor, em particular para:

  • Ampliar a produção e a infraestrutura de SAF (Combustível de Aviação Suíço).
  • Apoiar tecnologias emergentes de emissão zero
  • Ajudar as companhias aéreas a absorver os altos custos das soluções ecológicas em fase inicial.

A associação aponta para estimativas do Plano de Investimento em Transporte Sustentável, que sugerem que serão necessários entre 57 e 67 bilhões de euros até 2035 — e até 376 bilhões de euros até 2050 — para atender à demanda por combustíveis fósseis.

Recomenda-se também a expansão do programa de subsídios SAF, que atualmente cobre apenas 4 a 5% das necessidades projetadas, e a reconsideração da eliminação dos subsídios gratuitos para proteger a competitividade e sustentar o investimento em tecnologias verdes.


Equilibrando a ambição climática com a realidade econômica

A IATA enfatiza que a política climática deve encontrar um equilíbrio entre a ambição ambiental e a resiliência econômica. Com as novas regras do EU ETS previstas para entrar em vigor em 2026, o setor enfrenta custos crescentes em um momento de contínua incerteza geopolítica e econômica.

“A política europeia para a aviação deve reforçar a competitividade ao mesmo tempo que promove a descarbonização”, afirmou Willie Walsh. “A revisão do EU ETS oferece uma oportunidade crucial para redirecionar os esforços para reduções de emissões com boa relação custo-benefício.”

Walsh enfatizou que as prioridades devem incluir a implementação completa do CORSIA, o reinvestimento das receitas do ETS em soluções de descarbonização viáveis ​​e a eliminação de regulamentações sobrepostas que aumentam os custos sem trazer benefícios ambientais.


Uma encruzilhada estratégica para a aviação europeia.

A IATA conclui que um EU ETS revisto deve implementar uma política climática harmonizada e baseada na ciência, alinhada com as normas internacionais. Caso contrário, alerta a IATA, a competitividade da aviação europeia poderá ser prejudicada, a conectividade reduzida e, em última instância, a resiliência económica da região.

Enquanto a UE avalia as reformas, o resultado poderá moldar não só o futuro da descarbonização da aviação, mas também a posição da Europa numa economia global cada vez mais competitiva e incerta.

Sobre o autor

Jürgen T Steinmetz

Juergen Thomas Steinmetz trabalhou continuamente na indústria de viagens e turismo desde que era adolescente na Alemanha (1977).
Ele achou eTurboNews em 1999 como o primeiro boletim informativo online para a indústria global de turismo de viagens.

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