Berlim, Alemanha — Em um contexto de crescentes tensões geopolíticas ligadas ao conflito em curso com o Irã, investidores globais, gestores de fundos e líderes do setor hoteleiro reuniram-se na capital alemã para um dos eventos mais influentes — e controversos — da indústria: o International Hospitality Investment Forum (IHIF) EMEA 2026.
Realizada no Hotel InterContinental de Berlim, que foi totalmente reservado para a ocasião, a cúpula de alto nível atraiu aproximadamente 2,500 participantes, incluindo mais de 700 investidores globais, 500 VIPs e mais de 200 palestrantes especialistas. A participação foi bastante concorrida, com ingressos chegando a custar € 4,500, o que demonstra a exclusividade e o peso institucional do evento.
Hospitalidade em tempos de incerteza global
O momento escolhido para a realização do IHIF EMEA 2026 não poderia ser mais oportuno. À medida que os mercados globais enfrentam incertezas impulsionadas pela instabilidade geopolítica, incluindo a guerra com o Irã, o setor hoteleiro se posiciona cada vez mais como uma classe de ativos resiliente e em constante evolução.
Sob o tema “Retornos Redefinidos. Valor Reimaginado.”O fórum deste ano enfatizou como a hotelaria deixou de ser apenas um investimento imobiliário tradicional e se tornou uma categoria de investimento de nível institucional que influencia — e "hoteliza" — setores adjacentes.
Líderes do setor discutiram como os ativos de hotelaria são agora vistos como veículos para diversificação, otimização de desempenho e crescimento sustentável, mesmo em meio à volatilidade macroeconômica.
Vozes influentes moldam o debate.
O evento contou com uma impressionante seleção de líderes globais que estão moldando o futuro da hotelaria e dos investimentos. Entre eles:
- Sébastien Bazin, Presidente e CEO da Accor
- Elie Maalouf, CEO da IHG Hotels & Resorts
- Neal Jones da Marriott International
- Barbara Muckermann, da rede de hotéis Kempinski.
- Jesse Stein, do Airbnb
- Peter Werhahn de Blackstone
- Lauren Okada Young, da Brookfield Asset Management
- Janan Ganesh, do Financial Times
Uma presença particularmente notável foi a de Gloria Guevara, Presidente e CEO do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC).WTTC), que discursou para os delegados sobre o papel das viagens e do turismo como uma força estabilizadora em tempos incertos.
A participação dela destacou a crescente convergência entre a política global, a economia do turismo e as estratégias de investimento privado.
Temas principais: Estratégia, IA e Resiliência
O IHIF EMEA 2026 focou-se num amplo espectro de temas que refletem a rápida transformação em toda a indústria:
- Macroeconomia e Geopolítica: Sessões como “O Mundo em 2026 – Redefinindo Estratégias” Analisamos cenários de risco e abordagens de investimento à prova de futuro.
- Hospitalidade Experiencial: Crescimento nos segmentos de viagens de luxo, estilo de vida, bem-estar e atividades ao ar livre.
- Gestão de ativos: Ênfase na “geração alfa” por meio da excelência operacional e de tecnologias inteligentes.
- Transformação da IA: Discussões sobre como a inteligência artificial está remodelando a distribuição, a precificação e o engajamento do cliente.
- Estruturas de Investimento: Modelos de negócios em evolução, mercados de dívida e fluxos de capital na região EMEA.
- Tendências de desenvolvimento: Reutilização adaptativa, conversões e práticas de construção sustentáveis.
O conceito de “Dividendo da desintermediação da IA”—onde a tecnologia reduz a dependência de intermediários tradicionais—emergiu como um ponto-chave de discussão, sinalizando uma mudança estrutural na forma como as empresas de hotelaria operam e geram retornos.
Um mercado para capital e ideias
O IHIF é considerado há muito tempo um evento fundamental para a concretização de negócios no setor da hotelaria. Este ano não foi exceção.
O fórum se posicionou como uma plataforma não apenas para investidores e desenvolvedores, mas também para:
- Sócios comanditários em busca de estratégias de alocação de capital
- Consultores e credores navegando por ambientes de financiamento complexos
- Líderes emergentes com menos de 30 anos ingressando no setor
Os depoimentos dos participantes reforçaram a sua importância:
“É realmente muito importante, senão a conferência mais importante do ano”, disse Adela Cristea, do Radisson Hotel Group.
“Trata-se de estabelecer conexões com investidores, operadores e todos os nossos colegas do setor”, acrescentou Carine Bonnejean, da Christie & Co.
“Um grande evento que reúne todo o setor”, observou David Kellett, da Invesco Real Estate.
Protestos evidenciam tensões crescentes
Apesar das discussões de alto nível realizadas internamente, o evento não transcorreu sem controvérsias.
Do lado de fora do Hotel InterContinental, manifestantes se reuniram para expressar sua oposição ao que descreveram como a crescente financeirização da habitação e dos espaços urbanos. Os manifestantes criticaram a escala do capital representado na cúpula — estimado em trilhões de euros — e levantaram preocupações sobre a acessibilidade e o impacto social.
De acordo com relatórios do Berliner ZeitungAtivistas criticaram a natureza da conferência, que era fortemente influenciada por investidores, argumentando que investimentos imobiliários em larga escala contribuem para o aumento dos aluguéis e o deslocamento de pessoas em cidades como Berlim.
Os protestos evidenciaram uma crescente divisão entre os fluxos de capital global e as preocupações das comunidades locais — uma questão que se cruza cada vez mais com o desenvolvimento do setor hoteleiro.
Redefinindo o futuro do investimento em hotelaria
Ao término do IHIF EMEA 2026, uma mensagem se destacou claramente: a hotelaria deixou de ser uma classe de ativos periférica e se tornou fundamental para o futuro das estratégias de investimento globais.
Num mundo marcado pela incerteza, pela disrupção tecnológica e pela mudança nas expectativas dos consumidores, o setor está sendo redefinido não apenas pelos retornos, mas também pela forma como o valor é criado.
A questão levantada ao longo do fórum—Até que ponto podemos redefinir os retornos e reimaginar o valor juntos?—permanece em aberto. Mas, se o encontro de Berlim servir de indicação, a resposta será moldada por uma poderosa combinação de capital, inovação e resiliência.
E talvez cada vez mais, pelas vozes vindas de fora das salas de conferência, tanto quanto pelas de dentro.



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