Bruxelas, Bélgica — A Ryanair reafirmou seus planos de reduzir as operações na Bélgica caso o governo federal prossiga com o aumento planejado dos impostos sobre a aviação, intensificando uma disputa que evidencia uma crescente batalha em toda a Europa entre governos que buscam políticas de aviação mais ecológicas e companhias aéreas focadas em manter o crescimento a baixo custo.
Em declarações feitas na quinta-feira, os executivos do Grupo Ryanair, Michael O'Leary e Eddie Wilson, alertaram que a companhia aérea reduziria sua malha aérea na Bélgica caso o governo duplique o imposto sobre voos com mais de 500 quilômetros, de €5 para €10 por passageiro, a partir do próximo ano.
O alerta surge na sequência de declarações do Ministro das Finanças belga, Jan Jambon, indicando que o governo mantém o seu compromisso com a medida, apesar da crescente oposição da indústria da aviação e das autoridades regionais.
Segundo o plano atual da Ryanair, cinco das 19 aeronaves da companhia baseadas no Aeroporto de Charleroi seriam retiradas da programação de inverno. A empresa também eliminaria 20 rotas na Bélgica — 15 partindo de Charleroi e cinco do Aeroporto de Bruxelas — resultando em uma redução estimada de dois milhões de passageiros por ano.
A Ryanair afirmou que cerca de 150 postos de trabalho em Charleroi poderão ser afetados, embora os pilotos e comissários de bordo tenham a opção de serem transferidos para outras bases dentro da rede da companhia aérea.
“O único custo variável são os custos de acesso: impostos governamentais, taxas aeroportuárias e taxas de serviço”, disse Eddie Wilson, CEO da Ryanair DAC. “Não vamos aumentar a capacidade em aeroportos, regiões ou países onde esses custos estejam aumentando.”
Tensões apesar do apoio regional
A disputa surge pouco depois de uma vitória separada para o Aeroporto de Charleroi. O governo da Valônia bloqueou recentemente uma proposta da cidade de Charleroi para impor uma taxa municipal adicional de € 3 aos passageiros que partem do aeroporto.

A operadora aeroportuária BSCA saudou a decisão, mas enfatizou que o imposto federal proposto sobre a aviação continua sendo a ameaça mais significativa ao crescimento futuro. As autoridades valonas também instaram o governo federal a reconsiderar o aumento.
Apesar do alerta, O'Leary rejeitou as sugestões de que a Ryanair poderia abandonar Charleroi completamente.
“Não vamos ameaçar fechar Charleroi”, disse ele. “É uma das nossas maiores bases e passamos os últimos 30 anos ajudando a desenvolver o aeroporto.”
A companhia aérea afirma que a Bélgica poderia se tornar um importante mercado em crescimento se os impostos sobre a aviação fossem reduzidos em vez de aumentados. A Ryanair estima que o número de passageiros poderia aumentar em aproximadamente 50% até 2030, atingindo 16 milhões de passageiros anuais caso o imposto fosse abolido.
Parte de uma tendência europeia mais ampla
A Bélgica está longe de ser o único país onde os impostos sobre a aviação têm provocado confrontos entre governos e companhias aéreas.
Alemanha: Mudanças na capacidade aeroportuária após aumento das taxas de aviação
O aumento dos impostos sobre a aviação e das taxas aeroportuárias na Alemanha tornou-se alvo frequente de críticas da Ryanair, da Lufthansa e de outras companhias aéreas. A Ryanair reduziu repetidamente seus planos de expansão em diversos aeroportos alemães, argumentando que o aumento dos custos impostos pelo governo tornou o mercado menos competitivo do que o de países vizinhos.
A companhia aérea redirecionou sua capacidade para mercados de menor custo, como Itália, Polônia e partes da Europa Oriental, onde incentivos aeroportuários e impostos mais baixos proporcionam maior lucratividade.
Países Baixos: Restrições de capacidade em Schiphol
Os esforços do governo holandês para reduzir o número de movimentos de aeronaves no Aeroporto de Amsterdã Schiphol encontraram forte resistência por parte de companhias aéreas como KLM, Ryanair, easyJet e outras transportadoras internacionais.
Embora impulsionada principalmente por preocupações ambientais e de ruído, e não por impostos, a consequência tem sido semelhante: as companhias aéreas ameaçaram redirecionar o crescimento para outros setores, argumentando que as restrições de capacidade limitam a conectividade e os benefícios econômicos.
França: Impostos sobre voos domésticos e medidas ambientais
A França ampliou os impostos ambientais sobre a aviação, ao mesmo tempo que introduziu restrições a certos voos domésticos onde existem alternativas ferroviárias. As companhias aéreas de baixo custo criticaram as medidas, alertando que o aumento dos preços das passagens reduz a demanda e desestimula o investimento em aeroportos regionais.
Embora as companhias aéreas não tenham se retirado da França em larga escala, várias delas ajustaram seus planos de malha aérea para se concentrarem em rotas com maior rentabilidade.
Reino Unido: Debate sobre o Imposto sobre Passageiros Aéreos
O Imposto sobre Passageiros Aéreos (APD, na sigla em inglês) do Reino Unido continua sendo um dos impostos sobre aviação mais significativos da Europa. A Ryanair, a easyJet e a British Airways argumentam há tempos que o APD suprime a demanda por viagens e limita o crescimento.
Os sucessivos governos resistiram aos apelos pela abolição, alegando tanto objetivos de receita fiscal quanto ambientais. As companhias aéreas continuam a pressionar por reduções, particularmente em rotas domésticas e regionais.
Suécia: Um estudo de caso em reversão de impostos
Um exemplo notável ocorreu na Suécia, onde um imposto sobre a aviação, introduzido em 2018, enfrentou críticas constantes de companhias aéreas e operadores aeroportuários. Grupos do setor argumentaram que a taxa reduzia a competitividade e tinha um impacto ambiental limitado, uma vez que os passageiros optavam cada vez mais por aeroportos em países vizinhos.
O governo sueco acabou decidindo abolir o imposto, alegando preocupações com a conectividade e a competitividade econômica.
As companhias aéreas estão cada vez mais seletivas em relação ao crescimento.
A disputa belga reflete uma mudança estratégica mais ampla entre as maiores companhias aéreas de baixo custo da Europa. Em vez de buscarem crescimento em todos os lugares, as companhias aéreas estão concentrando cada vez mais suas aeronaves em mercados com impostos e taxas aeroportuárias mais baixos, além de regulamentações favoráveis.
A Ryanair tem demonstrado repetidamente essa abordagem ao longo da última década, deslocando aeronaves entre países em resposta a alterações nas taxas aeroportuárias, impostos ambientais ou taxas de aviação. Estratégias semelhantes foram adotadas pela Wizz Air e, em menor escala, pela easyJet.
Para os governos, o desafio é equilibrar os objetivos climáticos e a receita pública com os benefícios econômicos gerados pela aviação, incluindo turismo, emprego e conectividade regional.
À medida que o debate tributário na Bélgica entra em uma fase decisiva, o resultado poderá servir como mais um teste para avaliar até que ponto as companhias aéreas estão dispostas a ir na realocação de capacidade quando os custos operacionais aumentam — e como os governos ponderam as ambições ambientais em relação ao risco de perder tráfego aéreo para mercados concorrentes.
Esta versão foi escrita em um estilo neutro de notícias de negócios, adequado para publicação em jornais, publicações especializadas em aviação ou revistas de negócios, ao mesmo tempo que situa a disputa belga no contexto europeu mais amplo das reações das companhias aéreas aos impostos sobre a aviação e aos custos regulatórios.




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