A leitora da eTN, Azam Bahrami (Barogh), PhD, teve orgulho de estar no palco do 60º aniversário da ITB Berlin. Ela disse: “Foi uma honra compartilhar a plataforma com mulheres notáveis que estão moldando o futuro do turismo regenerativo e realizando um trabalho excepcional com comunidades ao redor do mundo.”
“Fiquei grato pela oportunidade de destacar práticas regenerativas do Oriente Médio e chamar a atenção para o que está acontecendo no Irã e em toda a região.”
Numa época em que o mundo está saturado de imagens de destruição — prédios bombardeados, escolas arrasadas e vidas reduzidas a estatísticas — torna-se perigosamente fácil esquecer as pessoas por trás das manchetes. O Irã, um país tão frequentemente retratado através de conflitos e política, abriga milhões de pessoas cuja humanidade, calor humano e riqueza cultural permanecem em grande parte invisíveis.
Quando bombas caem e as comunicações são interrompidas, quando mais de 1,200 horas de silêncio digital quase total isolam uma nação do resto do mundo, as pessoas não desaparecem — mas correm o risco de serem esquecidas.
E essa talvez seja a maior tragédia de todas.
Além das manchetes: o povo do Irã
Os iranianos não são abstrações. São poetas e engenheiros, mães e estudantes, artistas e agricultores. São pessoas conhecidas pela sua profundidade emocional, pela sua resiliência e, acima de tudo, pelo seu extraordinário sentido de hospitalidade.
Ser hóspede no Irã significa ser tratado não como um visitante, mas como parte da família. Existe um código cultural tácito: o hóspede vem em primeiro lugar, até mesmo antes de si próprio. Compartilha-se o pão, trocam-se histórias e o tempo parece desacelerar na presença da conexão humana.
Isto não é um espetáculo para turistas — é identidade.
Mesmo em tempos de dificuldade, essa generosidade persiste. Ela está intrinsecamente ligada ao cotidiano, transmitida de geração em geração e enraizada em uma das civilizações contínuas mais antigas do mundo. Independentemente de visões políticas ou distância geográfica, os iranianos nutrem um profundo orgulho de sua herança.
Irã: Uma civilização que vive através do seu povo
O Irã não é apenas um lugar no mapa — é uma tapeçaria viva de história, cultura e paisagem. De cidades antigas a vastos desertos, de aldeias nas montanhas a ilhas costeiras como a Ilha de Qeshm, o país conta histórias que remontam a milhares de anos.
Mas seu maior patrimônio não se encontra apenas em monumentos ou ruínas. Ele vive em seu povo — na maneira como falam, recebem, cozinham, celebram e perseveram.
Os viajantes que já conheceram o Irã costumam falar não primeiro de seus pontos turísticos, mas de sua humanidade.
Porque viajar pelo Irã não é apenas ver — é sentir.
Quando o silêncio se instala no Irã: o custo do distanciamento
Hoje, milhões de iranianos vivem uma realidade marcada pelo medo, pela incerteza e pelo isolamento. Os bloqueios da internet romperam sua conexão com o mundo, deixando vozes sem ser ouvidas e histórias sem ser contadas.
Numa era definida pela comunicação instantânea, esse tipo de silêncio é profundo.
Isso significa:
- Famílias sem conseguir tranquilizar seus entes queridos no exterior.
- Histórias que não conseguem alcançar o público global
- Indivíduos tornados invisíveis em tempo real
E, no entanto, mesmo nesse silêncio, a vida continua. As pessoas continuam a ter esperança, a se importar, a resistir ao esquecimento de quem são.
O turismo como ponte para o Irã, não como fuga.
A indústria de viagens e turismo detém um poder único — muitas vezes subestimado. Ela cria conexões humanas onde a política falha. Ela constrói empatia onde o medo domina. Ela nos lembra que, para além de fronteiras e ideologias, as pessoas são fundamentalmente iguais.
O turismo, em sua melhor forma, não se trata de consumo, mas sim de compreensão.
Permite aos viajantes:
- Compartilhe refeições com estranhos que se tornam amigos.
- Testemunhe tanto a beleza quanto as dificuldades sem simplificar nenhuma delas.
- Levar histórias além-fronteiras que, de outra forma, poderiam permanecer desconhecidas.
Em tempos como estes, o turismo se torna algo mais silencioso, porém mais poderoso: um guardião da memória.
Identidade iraniana em movimento
Ser iraniano hoje é carregar tanto orgulho quanto dor.
Trata-se de relembrar uma civilização que moldou o mundo, enquanto se navega por um presente repleto de incertezas. Trata-se de manter viva a cultura, a língua e a conexão — mesmo quando se está isolado do diálogo global.
Viajar aprofunda essa compreensão. Transforma a identidade de algo estático em algo vivido e sentido.
Como refletiu um viajante após uma jornada pelo Irã, não é apenas a história que encontramos — é a humanidade em sua forma mais imediata.
Uma reflexão pessoal sobre o Irã: a voz de Azam Bahrami

No centro desta história está Azam Bahrami, cuja vida e obra personificam a ligação entre pessoas, lugar e propósito.
Azam, uma acadêmica iraniana radicada na Holanda, traz para sua perspectiva tanto conhecimento acadêmico quanto experiência pessoal. Com doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento, com especialização em ecoturismo e turismo sustentável pela Universidade Nacional da Malásia, seu trabalho abrange continentes — do Sudeste Asiático à Europa e além.
Ela colaborou com universidades, ONGs e organizações internacionais, com foco em:
- Turismo de base comunitária
- Desenvolvimento e empoderamento rural
- Modelos de viagens sustentáveis e regenerativas
- Conservação ambiental e preservação cultural
Sua carreira não é apenas acadêmica — é profundamente humana. Anos de trabalho com comunidades locais e indígenas moldaram sua crença de que o turismo deve ser inclusivo, respeitoso e enraizado no conhecimento das pessoas que representa. E, no entanto, além de todas as credenciais, Azam fala antes de tudo como iraniana.
Uma mulher ligada à sua terra natal não apenas pela memória, mas também pelo amor.
A pergunta que devemos fazer sobre o Irã
Azam faz uma pergunta simples, mas urgente:
Quantos de nós estamos realmente conscientes disso — e como estamos reagindo?
Num mundo que transita rapidamente de uma crise para outra, a atenção é fugaz. Mas as pessoas não deixam de existir quando os holofotes se apagam.
A responsabilidade, especialmente para aqueles que trabalham no setor de viagens e turismo, não é apenas promover destinos, mas também honrar as pessoas que os definem.
Mantendo a esperança e a realidade em relação ao Irã
Há momentos — como estar sozinho nas montanhas de Qeshm, observando o sol se pôr atrás de paisagens ancestrais — em que tudo parece em silêncio. Quando a conexão com a terra, consigo mesmo e com algo maior se torna inegável.
São esses momentos que nos lembram por que viajamos.
Não para escapar da realidade, mas para compreendê-la mais profundamente.
Para contemplar tanto a beleza quanto a luta.
Contemplar tanto a dor quanto a esperança.
Para lembrar o que realmente importa.
Considerações finais sobre o Irã
O Irã não é apenas um lugar que atravessa uma crise. É um lugar repleto de pessoas resilientes, orgulhosas e profundamente humanas.
Eles não são números.
Não são manchetes.
São histórias que aguardam para serem ouvidas.



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