A recente iniciativa conjunta de Uganda e Egito para promover seus setores de turismo é mais do que uma ação bilateral — é uma lembrança de uma ideia que a África discute há muito tempo, mas raramente coloca em prática: vender o continente como um único destino.
Durante décadas, os países africanos abordaram o turismo como um projeto nacional, competindo pelos mesmos visitantes internacionais em vez de colaborarem para expandir o mercado global. O resultado é uma oferta fragmentada que obriga os viajantes a lidar com sistemas de vistos complexos, rotas aéreas caras e experiências de viagem desconexas.
A parceria entre Uganda e Egito desafia esse modelo.
Ao combinar as riquezas naturais de Uganda com as atrações históricas mundialmente reconhecidas do Egito, os dois países não estão apenas promovendo destinos — estão criando uma experiência completa. É exatamente assim que funciona o turismo moderno: os viajantes buscam cada vez mais viagens por vários países, e não roteiros com uma única parada.
Essa não é uma ideia nova. O Conselho de Turismo Africano Desde o seu lançamento em 2018, a iniciativa defende o marketing conjunto de destinos. Como uma iniciativa impulsionada pelo setor privado, ela tem pressionado consistentemente para que a África se apresente ao mundo como uma marca turística unificada.
Segundo Cuthbert Ncube, presidente executivo do Conselho Africano de Turismo, a iniciativa Uganda-Egito é exatamente o tipo de progresso que o continente precisa.
“Este é um exemplo encorajador”, observa ele, “que demonstra como os países podem ir além da retórica e começar a implementar estratégias de turismo colaborativas”. O próprio Conselho continua a oferecer plataformas para que as nações africanas visem conjuntamente os mercados não africanos, onde reside o verdadeiro potencial de crescimento.
No entanto, apesar de tais esforços, as barreiras fundamentais permanecem teimosamente intactas.
A África continua sendo uma das regiões mais difíceis do mundo para se viajar. Os regimes de vistos permanecem restritivos. Os voos entre países africanos são frequentemente indiretos, caros ou simplesmente indisponíveis. As políticas nacionais continuam priorizando o controle em detrimento da coordenação. Na prática, a África construiu fronteiras que atuam contra seus próprios interesses econômicos.
Essa é a contradição central do turismo africano: um continente rico em diversidade, mas estruturalmente projetado para impedir que essa diversidade seja facilmente vivenciada.
Iniciativas conjuntas de marketing, como a parceria entre Uganda e Egito, são importantes, mas não são suficientes.
Não é possível promover viagens perfeitas mantendo sistemas fragmentados. Não é possível vender uma experiência com múltiplos destinos se o deslocamento entre eles for caro e complicado. E não é possível competir globalmente se você insistir em operar como dezenas de pequenos mercados desconectados.
O que a África precisa não é apenas de um marketing melhor, mas de alinhamento.
A facilitação de vistos deve ser acelerada. As políticas de aviação devem priorizar a conectividade em detrimento do protecionismo. Os blocos regionais devem passar dos acordos no papel para a implementação na prática. Sem essas mudanças, mesmo as melhores campanhas de marketing não alcançarão o objetivo.
Ainda assim, a importância da iniciativa Uganda-Egito não deve ser subestimada.
Representa uma mudança de mentalidade — da competição para a cooperação, do isolamento para a integração. Sinaliza um reconhecimento crescente de que a força do turismo africano reside não em países individuais, mas no poder coletivo da sua diversidade.
A questão agora é se outros seguirão o exemplo.
Porque a realidade é simples: a África não pode mais se vender em partes.




Deixe um comentário