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Nova vacina à base de açúcar sendo desenvolvida para melioidose

Escrito por editor

A ameaça da Melioidose é real. A bactéria que causa essa doença infecciosa multissintomática é resistente aos antibióticos, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos e resultando em uma taxa de mortalidade de até 50%. O professor Charles Gauthier do Institut national de la recherche scientifique (INRS) passou a última década estudando a doença tropical negligenciada. Tendo recebido agora mais de US$ 700,000 em financiamento dos Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde (CIHR), ele agora está embarcando em testes pré-clínicos para uma vacina em colaboração com os professores Éric Déziel e Alain Lamarre.

Burkholderia pseudomallei é encontrada em lama e solos, principalmente em países equatoriais como Austrália, Tailândia, Índia e Brasil. Quando ocorre uma inundação ou seca, pode contaminar as partículas da superfície que são transportadas pelo vento. “Com o aumento das temperaturas e o risco crescente de desastres naturais, estudos preveem um aumento da contaminação e das áreas de risco. Temos que estar prontos”, diz o professor Gauthier.

Ao longo dos próximos cinco anos, sua equipe desenvolverá uma vacina glicoconjugada. Os açúcares expressos na superfície da bactéria estarão, assim, ligados a uma proteína transportadora reconhecida pelas células T do corpo – os “soldados” do sistema imunológico que desencadeiam a produção de anticorpos. O professor Lamarre, especialista em desenvolvimento de vacinas, e o professor Déziel, especialista em microbiologia da bactéria Burkholderia, realizarão estudos de vacinação em camundongos e investigarão a natureza das respostas imunes.

Açúcares de imitação

A equipe de cientistas testará várias versões da vacina com diferentes combinações das três cadeias de açúcar, ou polissacarídeos, expressas pela bactéria. Os açúcares são promissores porque já são alvo de anticorpos. Em vez de isolá-los diretamente da bactéria, o professor Gauthier usa imitações desses açúcares desenvolvidos em seu trabalho anterior. Essa abordagem evita o risco de manipulação do patógeno.

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“Conseguimos sintetizar polissacarídeos que imitam os da bactéria, além de serem reconhecidos por anticorpos. É um trabalho pioneiro”, disse. No entanto, o processo de síntese precisará ser otimizado para aumentar o rendimento total de açúcar.

Como membro da rede VALIDATE da Universidade de Oxford para o desenvolvimento de vacinas contra patógenos negligenciados, o professor Gauthier pode contar com a ajuda de cientistas de todo o mundo. Um de seus colaboradores é o pesquisador norte-americano Brad Borlee, da Colorado State University, que lhe fornece cepas atenuadas de Burkholderia pseudomallei. Borlee faz os açúcares que serão usados ​​como controles para os “imitadores” de açúcar nos estudos da vacina. Gauthier também está trabalhando com o professor Siobhán McClean da University College Dublin, um pesquisador irlandês que investiga as proteínas expressas pela bactéria. Essas proteínas também são alvo do sistema imunológico e podem ser usadas em conjunto com os açúcares para aumentar a eficácia da vacina.

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A editora-chefe da eTurboNew é Linda Hohnholz. Ela está sediada na sede da eTN em Honolulu, Havaí.

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