Berlim, Alemanha - No recém-concluído ITB BerlimNa maior feira de turismo do mundo, líderes globais do setor se reuniram para discutir tendências, parcerias e o futuro das viagens. Entre os muitos destinos que disputavam a atenção, uma nação africana emergiu como a estrela incontestável: Angola.
No entanto, os holofotes em Berlim não brilharam apenas sobre Angola. Dividindo o protagonismo estava Angola. Edmundo Bartlett, o ministro do turismo de longa data de Jamaica, cuja diplomacia estratégica e consciência geopolítica estão cada vez mais moldando um novo corredor turístico que conecta a África, o Caribe e a América Latina.
Para muitos observadores na ITB Berlim, as conversas entre Angola e Jamaica simbolizavam algo maior do que a cooperação bilateral. Refletiam um esforço deliberado para remodelar os fluxos turísticos globais, ligando regiões unidas por séculos de história, cultura e diáspora compartilhadas — mas que, até recentemente, tinham uma colaboração turística direta limitada.
Angola é o centro das atenções na ITB Berlim
A presença de Angola na ITB Berlim atraiu considerável atenção de executivos do setor de viagens, formuladores de políticas e investidores. Com seu extenso litoral atlântico, ecossistemas diversificados e um setor de hotelaria emergente, o país está se posicionando cada vez mais como uma das fronteiras turísticas mais promissoras da África.
Os delegados destacaram o potencial de Angola para o ecoturismo, o turismo patrimonial e as experiências costeiras de luxo. Para Angola, o turismo representa uma importante via para diversificar a sua economia, para além dos recursos naturais, ao mesmo tempo que permite mostrar a rica identidade cultural e a beleza natural do país.
Mas a proeminência de Angola em Berlim também se alinhou estreitamente com uma estratégia de turismo geopolítico mais ampla que emergiu da Jamaica — uma estratégia que busca conectar regiões historicamente ligadas através do Atlântico.
A visão de Bartlett: o turismo como estratégia geopolítica
Poucas figuras no turismo global possuem a longevidade e a influência de Edmundo BartlettComo um dos ministros do turismo com o mandato mais longo do mundo, Bartlett construiu uma reputação não apenas como promotor da indústria turística da Jamaica, mas também como um estrategista que entende o poder geopolítico das viagens.
Na ITB Berlim, os encontros de Bartlett com seus homólogos africanos reforçaram um objetivo de longa data: construir uma ponte turística entre a África e o Caribe — duas regiões profundamente conectadas pela história, cultura e diáspora.
Para Bartlett, o turismo é mais do que a chegada de visitantes e o desenvolvimento hoteleiro. É um instrumento diplomático capaz de fortalecer laços culturais, intercâmbio econômico e cooperação política.
Sua abordagem tem sido deliberada e gradual. Em vez de depender exclusivamente dos mercados turísticos tradicionais da América do Norte e da Europa, a Jamaica tem expandido suas parcerias com economias turísticas emergentes na África e na América Latina. O objetivo é criar novas rotas de viagem, estratégias de marketing compartilhadas e estruturas institucionais que conectem essas regiões.
Jamaica e Angola: Uma nova parceria turística transatlântica
Um dos principais acontecimentos na ITB Berlim foi o encontro entre os ministros do turismo da Jamaica e de Angola, onde as discussões se concentraram na expansão da cooperação bilateral.

O ponto central dessas negociações foi o estabelecimento de um Centro Global de Resiliência do Turismo e Gestão de Crises em Angola — uma iniciativa pioneira da Jamaica para fortalecer a capacidade do setor turístico de resistir a crises que vão desde desastres naturais a pandemias.
O processo de Centro Global de Resiliência do Turismo e Gestão de Crises, lançado inicialmente no University of the West IndiesA iniciativa evoluiu para uma rede global com centros satélites em várias regiões. O centro proposto em Angola representaria mais um passo na expansão da iniciativa por toda a África.
Os ministros também discutiram a convocação de uma sessão histórica. cúpula de ministros do turismo do Caribe e da África, reunindo formuladores de políticas de ambas as regiões para coordenar políticas de turismo, estratégias de conectividade aérea e oportunidades de investimento.
Uma cúpula desse tipo poderia lançar as bases para um novo corredor turístico transatlântico — um que reinvente a conexão atlântica como uma plataforma para colaboração futura.
Construindo pontes que superam as barreiras linguísticas
Um dos aspectos mais marcantes da crescente diplomacia turística da Jamaica é seu alcance que vai além das alianças linguísticas tradicionais.
Embora muitas parcerias caribenhas com a África tenham historicamente se concentrado em nações de língua inglesa, a iniciativa de Bartlett em Angola — um país de língua portuguesa — reflete uma estratégia mais ampla.
Essa expansão linguística alinha-se naturalmente com o crescente envolvimento da Jamaica com Brazil, o maior país de língua portuguesa do mundo e uma potência turística na América Latina.
Ao conectar Angola, Brasil e Jamaica, a visão de Bartlett cria uma parceria turística triangular através do Atlântico.
Essa rede poderia possibilitar:
- Intercâmbios de turismo cultural enraizados no patrimônio afro-atlântico
- Pacotes de viagens com múltiplos destinos, ligando África, Caribe e América do Sul.
- Os fluxos de investimento turístico abrangem as três regiões.
- Conectividade aérea ampliada
Na prática, a Jamaica está se posicionando como uma porta de entrada entre esses continentes.
Expandindo parcerias em toda a África
Angola é apenas uma parte da estratégia mais ampla da Jamaica para o turismo em África.
Ao longo dos últimos anos, a Jamaica estabeleceu parcerias turísticas com diversos países africanos, incluindo:
- Ruanda
- Nigéria
- Zimbábue
- Gana
- Quênia
- África do Sul
Essas parcerias enfatizam o compartilhamento de conhecimento, a cooperação em políticas de turismo e o marketing conjunto de destinos.
Os países africanos estão investindo fortemente em infraestrutura turística, enquanto destinos caribenhos como a Jamaica têm décadas de experiência na construção de indústrias turísticas globalmente competitivas. A colaboração entre essas regiões, portanto, oferece benefícios práticos em treinamento, gestão de destinos e preparação para crises.
Parceria Serra Leoa e um Novo Centro de Resiliência
Um marco particularmente significativo ocorreu no início deste ano, quando o ministro do turismo de Serra Leoa visitou a Jamaica.
A visita resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento destinado a facilitar a cooperação no desenvolvimento de políticas de turismo, treinamento e marketing de destinos.
Um dos principais resultados será o estabelecimento de outro Centro Global de Resiliência do Turismo em Freetown, com inauguração prevista para novembro de 2026.
O centro terá como foco a pesquisa, a preparação para crises e a sustentabilidade do turismo, fortalecendo a capacidade de Serra Leoa de responder aos desafios globais e aprofundando a cooperação institucional com a Jamaica.
Quênia sedia Dia Mundial da Resiliência do Turismo histórico
A colaboração entre a Jamaica e a África alcançou mais um marco em fevereiro de 2026, quando Quênia sediou a primeira celebração africana de Dia Mundial da Resiliência do Turismo.
Realizada no Centro Internacional de Convenções de Kenyatta in NairobiO evento de três dias, realizado entre 16 e 18 de fevereiro, atraiu mais de 1,400 participantes de 15 países africanos.
Organizado pelo Ministério do Turismo e Vida Selvagem do Quênia, sob a liderança de Rebeca Miano, e apoiado por Universidade KenyattaA conferência reuniu formuladores de políticas, acadêmicos e líderes da indústria do turismo.
Cinco ministros do turismo africanos participaram do encontro, sinalizando um crescente apoio político para uma cooperação mais profunda entre a África e o Caribe.
Diáspora, Cultura e Turismo
Além do aspecto econômico, a parceria entre a África, o Caribe e a América Latina possui um profundo significado cultural.
A Jamaica é mundialmente associada à música reggae e a ícones culturais como... Bob Marley — compartilha laços históricos profundos com a África e o Brasil por meio da diáspora africana.
A cooperação turística oferece uma excelente oportunidade para celebrar essas raízes comuns por meio de rotas de turismo patrimonial, festivais culturais, intercâmbios acadêmicos e colaborações artísticas.
Essas iniciativas não apenas atrairiam visitantes, mas também fortaleceriam os laços interpessoais entre os continentes.
Uma narrativa de turismo multicultural
Essa crescente colaboração afro-caribenha-latino-americana também apresenta um significativo potencial de marketing para os mercados turísticos tradicionais da Jamaica. Ao se posicionar na encruzilhada da herança africana, da criatividade caribenha e da efervescência cultural latino-americana, Jamaica está desenvolvendo uma narrativa de turismo multicultural diferenciada que possa ter forte ressonância com seus maiores mercados emissores. Estados Unidos e Canada.




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