Fiji - Em uma faixa de areia branca em forma de crescente, cercada por recifes de coral e lagoas translúcidas, um ritmo familiar está retornando a Fiji: o zumbido dos hidroaviões, o movimento das construções e a chegada constante de marcas internacionais que apostam que a recuperação do turismo no Pacífico Sul está longe de terminar.
O sinal mais recente veio esta semana, quando o Radisson Hotel Group anunciou a assinatura do contrato para o Mana Island Resort & Spa Fiji, uma propriedade com 160 quartos que será reposicionada sob a marca Radisson Individuals após uma ampla reforma com previsão de conclusão em 2027.
Situado no arquipélago de Mamanuca — a cerca de 90 minutos de barco ou 20 minutos de hidroavião de Nadi — o resort ocupa um dos locais mais cobiçados das ilhas Fiji, há muito apreciado por suas águas turquesas e sol durante todo o ano.
O acordo representa mais do que a simples abertura de um hotel. Ele simboliza uma onda mais ampla que está remodelando o cenário turístico de Fiji.
Uma onda de desenvolvimento em todas as ilhas
Em Fiji, uma nova geração de resorts — muitos apoiados por marcas globais — está surgindo ao lado de ambiciosas reformas de propriedades antigas.
Na ilha de Denarau, o principal polo turístico do país, projetos de grande escala estão redefinindo a paisagem. A revitalização do Westin Fiji Golf Resort & Spa tem previsão de reabertura em 2026, enquanto o resort de luxo Vatu Talei está em construção nas proximidades, parte de uma onda de investimentos que especialistas do setor descrevem como sem precedentes.
Mais além, a Kerzner International, com sede em Dubai, está planejando um resort One&Only nas Ilhas Yasawa, combinando vilas de ultraluxo com residências privadas voltadas para compradores de alto poder aquisitivo, com conclusão prevista para o final da década.
Operadoras internacionais — da Marriott e Hilton à InterContinental — estão expandindo ou modernizando seus portfólios, demonstrando confiança de que a demanda por viagens de luxo e focadas em experiências para Fiji continuará crescendo. Contudo, mesmo com guindastes pontilhando o horizonte, o número de novos empreendimentos permanece relativamente limitado em comparação com a demanda, uma dinâmica que contribuiu para elevar as diárias a níveis recordes nos últimos anos.
O turismo se recupera — e depois dispara.
A recuperação da pandemia foi rápida e, em muitos aspectos, extraordinária. Após a reabertura das fronteiras no final de 2021, o setor de turismo de Fiji se recuperou acentuadamente, com a Austrália, a Nova Zelândia e a América do Norte liderando o retorno dos visitantes.
Em 2024, o país registrou um "ano excepcional", com aumento no número de diárias e uma alta nas reservas de pacotes turísticos bem acima dos níveis pré-pandemia.
O número de visitantes está se aproximando — ou ultrapassando — um milhão anualmente, impulsionado pela expansão da conectividade aérea e pela demanda reprimida por viagens de lazer de longa distância.
O bom momento continuou em 2025, com o número de visitantes em tendência de alta e líderes do setor expressando confiança de que Fiji permanece um dos destinos mais desejáveis do Pacífico Sul.
Para os operadores hoteleiros, a mensagem foi clara: a procura é forte, os rendimentos são elevados e o mercado suporta mais investimento.
A estratégia: Menos quartos, mais luxo.
Os incorporadores não estão simplesmente construindo mais — estão construindo de forma diferente. A nova geração de projetos, incluindo o reposicionamento da Ilha Mana, apoiado pela Radisson, enfatiza o turismo de luxo e experiências únicas: vilas à beira-mar, opções de bem-estar e atividades cuidadosamente selecionadas em meio à natureza, concebidas para justificar preços premium.

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Isso reflete uma mudança mais ampla em direção ao "turismo de alto rendimento", uma estratégia adotada tanto por formuladores de políticas quanto por operadores para maximizar a receita sem sobrecarregar a infraestrutura ou os ecossistemas.
Na prática, isso significa menos quartos, porém mais caros, e um foco em viajantes abastados da Austrália, dos Estados Unidos e, cada vez mais, da Ásia.
Dores de crescimento sob o boom
Mas o crescimento acelerado traz riscos.
Um dos desafios é a capacidade. Apesar da forte demanda, a oferta hoteleira em Fiji permanece modesta, o que levanta preocupações sobre se o país conseguirá acomodar o crescimento futuro sem se tornar inacessível a mercados-chave devido aos preços elevados.
A conectividade aérea, embora esteja melhorando, ainda representa uma limitação. O crescimento sustentado depende da expansão de rotas e parcerias entre companhias aéreas, principalmente em mercados emergentes.
Mais complexas são as tensões sociais e ambientais que surgem juntamente com a expansão do turismo.
Uma proposta de mudança para restaurar os direitos dos povos indígenas iTaukei sobre as áreas marinhas — historicamente fundamentais para o turismo de surfe — levanta questões mais profundas sobre quem se beneficia do setor. O turismo representa cerca de 40% do PIB de Fiji, mas muitas comunidades indígenas têm historicamente recebido retornos econômicos limitados.
O esforço do governo para reintroduzir o controle local e a compensação pelo uso dos recifes foi bem recebido como uma medida corretiva, mas também gera incerteza para os operadores acostumados à regulamentação centralizada.
As pressões ambientais — desde a degradação dos recifes até a vulnerabilidade climática — acrescentam outra camada de complexidade, especialmente à medida que o desenvolvimento se expande para ilhas mais remotas.
Perspectiva: Forte, mas não simples
Por enquanto, o otimismo prevalece. Os investidores continuam a injetar capital no setor de resorts de Fiji, apostando que a combinação de beleza natural, acessibilidade e reconhecimento da marca sustentará o crescimento a longo prazo.
O acordo com a Radisson na Ilha Mana reforça essa confiança e sugere que até mesmo destinos consolidados em Fiji estão sendo reposicionados para uma nova era de viagens de luxo.
Mas a próxima fase da história do turismo em Fiji pode depender menos de quantos resorts serão construídos e mais de como o país equilibrará o crescimento com a sustentabilidade, a equidade e a resiliência.
No Pacífico Sul, o paraíso continua sendo muito procurado. A questão é quanto dele pode ser explorado — e a que custo.



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