ULAANBAATAR, Mongólia — O 15º Fórum Asiático de Turismo está sendo realizado em Ulaanbaatar de 11 a 13 de junho, sob o tema “O Paradigma Asiático da Hospitalidade e do Turismo” reunindo mais de 100 dos principais especialistas em turismo, pesquisadores, formuladores de políticas e executivos do setor de 22 países.
O fórum é organizado em conjunto pelo Ministério da Cultura, Esportes, Turismo e Juventude da Mongólia, o Departamento de Turismo de Ulaanbaatar, a Associação de Turismo da Mongólia, a Universidade Politécnica de Hong Kong e a Sociedade de Educação e Desenvolvimento do Turismo.
Delegados da Coreia do Sul, Austrália, China, Sri Lanka, Camboja, Estados Unidos, Alemanha e outros países estão debatendo algumas das questões mais prementes que moldam o futuro do turismo na Ásia. Os temas incluem desenvolvimento do turismo sustentável, transformação digital, inteligência artificial, robótica de serviços, padrões de governança ambiental e social, desenvolvimento da força de trabalho e cooperação regional.
Para a Mongólia, no entanto, a conferência representa mais do que um encontro acadêmico. É uma declaração de ambição de um país que busca transformar o turismo em um dos pilares de sua estratégia de diversificação econômica.
Ulaanbaatar no centro da visão turística da Mongólia.
Como capital da Mongólia e principal porta de entrada internacional, Ulaanbaatar ocupa uma posição crucial no futuro do turismo do país. Quase todos os visitantes internacionais passam pela cidade, tornando-a tanto um ponto de partida para a experiência do visitante quanto um destino em potencial por si só.
Durante décadas, a imagem turística da Mongólia foi dominada por suas vastas estepes, cultura nômade, o Deserto de Gobi e experiências de turismo de aventura. Embora essas atrações continuem sendo os principais ativos turísticos do país, planejadores governamentais e líderes do setor veem cada vez mais Ulaanbaatar como um destino urbano inexplorado, capaz de prolongar a estadia dos visitantes e aumentar os gastos com turismo.
A cidade abriga importantes instituições culturais, museus, mosteiros budistas, espaços para artes cênicas, modernos distritos comerciais e uma cena culinária emergente que mescla a culinária tradicional mongol com influências internacionais. Autoridades do setor de turismo acreditam que Ulaanbaatar pode se tornar um destino para o ano todo, em vez de apenas um ponto de trânsito para viajantes que se dirigem a atrações rurais.
Planos de crescimento ambiciosos
O setor de turismo da Mongólia foi identificado como uma indústria estratégica no âmbito da Estratégia de Desenvolvimento Turístico de Longo Prazo do país para o período 2023-2028.
As autoridades esperam aumentar significativamente o número de turistas internacionais nos próximos anos, ao mesmo tempo que posicionam a Mongólia como um dos principais destinos asiáticos para o turismo sustentável, cultural e baseado na natureza.
A visão mais abrangente do governo inclui:
- Expandir a conectividade aérea internacional.
- Aumento do investimento no turismo.
- Desenvolver acomodações e serviços para visitantes de maior qualidade.
- Melhorar a infraestrutura turística.
- Fortalecimento do marketing de destinos.
- Criação de produtos turísticos para o ano todo.
- Incentivar o investimento estrangeiro e as parcerias público-privadas.
Líderes do setor acreditam que o turismo pode se tornar uma importante fonte de emprego, especialmente para os jovens, além de gerar receita fora do setor tradicional de mineração da Mongólia.
O Potencial: Um Destino Único na Ásia
Poucos países oferecem a combinação de experiências disponível na Mongólia.
Os visitantes podem viajar de uma capital moderna para áreas remotas e selvagens em poucas horas, encontrar tradições nômades seculares, participar dos mundialmente famosos festivais Naadam, explorar o antigo patrimônio da Rota da Seda e vivenciar algumas das paisagens menos povoadas da Terra.
Numa era em que muitos viajantes procuram autenticidade, sustentabilidade e experiências culturais significativas, a Mongólia possui uma vantagem competitiva que muitos destinos têm dificuldade em replicar.
As tendências globais do turismo também favorecem destinos com forte oferta de turismo de aventura e ao ar livre. A crescente demanda por ecoturismo, viagens de bem-estar, imersão cultural e turismo de experiência está em perfeita sintonia com os pontos fortes da Mongólia.
A própria Ulaanbaatar busca capitalizar essas tendências desenvolvendo o turismo cultural, o turismo de conferências e eventos, o turismo gastronômico, as indústrias criativas e as experiências patrimoniais.
A realização de conferências internacionais, como o Fórum Asiático de Turismo, faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar a cidade como um polo regional para reuniões, incentivos, conferências e exposições (turismo MICE).
Desafios que não podem ser ignorados
Apesar de seu enorme potencial, a indústria do turismo na Mongólia enfrenta desafios significativos.
A acessibilidade continua sendo uma das maiores barreiras. A capacidade de voos internacionais tem sido historicamente limitada em comparação com os principais destinos turísticos asiáticos, e as longas distâncias de viagem podem tornar a Mongólia um destino relativamente caro.
A sazonalidade também afeta o desempenho do turismo. A chegada de visitantes concentra-se fortemente durante os meses de verão, pressionando a infraestrutura nos períodos de pico e deixando as empresas turísticas subutilizadas durante o resto do ano.
Ulaanbaatar enfrenta seus próprios desafios urbanos. A poluição atmosférica no inverno, os congestionamentos e as limitações de infraestrutura podem afetar a percepção dos visitantes e suas experiências de viagem em geral. Especialistas do setor argumentam que o investimento contínuo em transporte público, desenvolvimento urbano e gestão ambiental será essencial para o crescimento sustentável do turismo.
Outro desafio é o desenvolvimento da força de trabalho. Com o aumento do número de visitantes, o setor precisará de mais profissionais qualificados em hotelaria, guias multilíngues, especialistas em marketing digital, gestores de destinos e empreendedores do turismo.
Os líderes do setor turístico presentes no fórum enfatizaram a importância de conectar a pesquisa acadêmica com as necessidades práticas da indústria para ajudar a enfrentar esses desafios.
Tecnologia e Inovação Impulsionando o Futuro
Um dos temas principais do fórum deste ano é o papel crescente da tecnologia no turismo.
Os participantes estão analisando como a inteligência artificial, a automação, os robôs de serviço, os sistemas inteligentes de gestão de destinos e as plataformas digitais estão transformando as expectativas dos viajantes e as operações turísticas.
Para a Mongólia, a inovação digital pode ajudar a superar alguns dos desafios estruturais associados à geografia e à distância.
Marketing online aprimorado, serviços para visitantes com inteligência artificial, aplicativos de turismo inteligentes, promoção virtual de destinos e sistemas de reservas digitais aperfeiçoados podem ajudar a Mongólia a competir de forma mais eficaz no mercado global de turismo.
Especialistas do setor também enxergam oportunidades para a gestão do turismo orientada por dados, que pode melhorar as experiências dos visitantes e, ao mesmo tempo, apoiar as metas de sustentabilidade.
Sustentabilidade como Vantagem Competitiva
Com o crescimento do turismo, a sustentabilidade continua sendo uma preocupação central.
As paisagens naturais da Mongólia estão entre seus maiores atrativos turísticos, tornando a proteção ambiental essencial para o sucesso a longo prazo do setor.
Os participantes do fórum estão discutindo estratégias para equilibrar o crescimento com a conservação, garantindo que o aumento do número de visitantes não prejudique ecossistemas frágeis nem comprometa as práticas culturais tradicionais.
Muitos profissionais do turismo consideram que a Mongólia está numa posição única para se tornar um modelo de desenvolvimento do turismo sustentável na Ásia, porque grande parte do seu apelo turístico está diretamente ligado à natureza, ao património e às comunidades locais.
Cooperação Regional e Novas Parcerias
Segundo Batbold D., vice-presidente da Associação de Turismo da Mongólia, o fórum tem como objetivo apoiar as metas da estratégia de turismo de longo prazo da Mongólia, ao mesmo tempo que promove o potencial turístico do país internacionalmente.
Ele expressou a esperança de que o evento fortaleça os laços entre pesquisadores e profissionais da indústria, atraia investimentos estrangeiros, crie novas oportunidades de mercado e aprofunde a cooperação regional.
Essas parcerias podem se revelar cada vez mais importantes à medida que o turismo asiático continua sua recuperação e transformação. Iniciativas de marketing colaborativas, padrões de sustentabilidade compartilhados, intercâmbios educacionais e melhor conectividade regional podem ajudar a criar novas oportunidades para destinos em todo o continente.
Olhando para o futuro
Desde a sua criação em 1993, o Fórum Asiático de Turismo tem servido como uma importante plataforma para discutir tendências do turismo, gestão hoteleira, inovação em marketing e desafios de sustentabilidade em toda a Ásia.
O encontro deste ano em Ulaanbaatar acontece em um momento crucial para o setor de turismo da Mongólia.
O setor turístico do país encontra-se na encruzilhada entre oportunidade e responsabilidade. Com atrações naturais de nível internacional, uma identidade cultural singular e crescente visibilidade global, a Mongólia possui todos os ingredientes para se tornar um dos destinos mais fascinantes da Ásia.
A concretização dessas ambições dependerá do investimento contínuo, da melhoria das infraestruturas, das práticas de desenvolvimento sustentável, da formação da força de trabalho e da capacidade de traduzir a visão estratégica em resultados práticos.
Para Ulaanbaatar, o fórum não é apenas um espaço para discutir o futuro do turismo, mas também uma oportunidade de demonstrar que a Mongólia pretende desempenhar um papel mais importante na construção desse futuro.




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