Moçambique sediou o Fórum Diplomático Africano de Turismo e Investimento (ADTIF) em Maputo esta semana, com o objetivo de promover o turismo e aumentar a segurança, o que deve levar ao aumento do investimento.
Moçambique é um país de língua portuguesa da Comunidade das Nações da África Austral, com uma longa costa ao longo do Oceano Índico, praias populares como Tofo e parques marinhos. No Arquipélago das Quirimbas, uma extensão de 250 km de ilhas de coral, a Ilha do Ibo, coberta de manguezais, possui ruínas da era colonial que sobrevivem ao domínio português. O Arquipélago de Bazaruto, mais ao sul, possui recifes que protegem espécies marinhas raras, incluindo dugongos.
Situação de Segurança e Proteção em Moçambique
A situação de segurança em Moçambique é marcada por conflitos armados em curso, particularmente na província de Cabo Delgado, onde uma insurgência causou deslocamentos e violência contra civis. O Alto Comissário Britânico afirma que a principal ameaça vem do EI-Moçambique (EI-M), um grupo terrorista com ligações ao Daesh (anteriormente conhecido como Estado Islâmico), que atua principalmente na província de Cabo Delgado e já realizou ataques em distritos vizinhos das províncias de Niassa e Nampula.
Há também um alto risco de criminalidade generalizada, incluindo sequestros para resgate, crimes violentos como roubo de carros e pequenos delitos em cidades como Maputo. Além disso, a agitação pós-eleitoral desde o final de 2024 levou a protestos e distúrbios em várias partes do país.
Moçambique tornou-se membro da Comunidade das Nações em 1995, apesar de ser uma ex-colônia portuguesa, e não britânica. Foi o primeiro país a aderir, tornando-se membro em reconhecimento ao seu apoio na luta contra o apartheid e o regime da minoria branca.
Um dedicado Primeiro-Ministro de Moçambique quer fazer do Turismo um Pilar Estratégico.
Por meio do discurso de abertura do Fórum Diplomático Africano de Turismo e Investimento (ADTIF), proferido esta semana em Maputo, a Primeira-Ministra de Moçambique, Hon. Maria Levi, apresentou uma visão ousada que tornará o turismo um pilar estratégico para o desenvolvimento econômico e um poderoso instrumento de diplomacia na África.

A primeira-ministra moçambicana expôs sua visão por meio de um discurso que transcendeu a discussão típica focada na terceirização de números de visitantes e receitas entre estados africanos.
O discurso de Levi teve como objetivo estimular ideias que enquadrassem o turismo como uma ferramenta vital para alcançar a soberania econômica e promover uma integração mais profunda entre os estados africanos.
“O potencial turístico de Moçambique é inquestionável. A localização estratégica e a gastronomia, aliadas à simpatia e ao espírito trabalhador que caracterizam o povo moçambicano, constituem oportunidades únicas e eficazes a serem consideradas”, afirmou.
Ela apelou aos líderes africanos para que criassem um ambiente propício aos negócios, desafiando os líderes do continente a aproveitar o potencial coletivo do setor do turismo e usá-lo como um veículo para construir uma África mais forte e unida, além dos lucros do turismo.
O compromisso do Primeiro-Ministro foi ainda mais reforçado pela presença de importantes autoridades moçambicanas, incluindo o Ministro da Economia, Basílio Zefanias Muhate, e o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, que participaram do evento de três dias.
Líderes políticos, representantes do setor privado e membros do corpo diplomático se reuniram recentemente para um Jantar de Gala em Maputo, destacando o turismo como um impulsionador estratégico do crescimento econômico e do fortalecimento de parcerias regionais.
O evento, que coincidiu com o 50º aniversário da independência de Moçambique, teve como objetivo promover discussões estratégicas e uma visão compartilhada para o futuro do turismo africano e oportunidades de investimento no setor turístico do continente.
O presidente executivo do Conselho Africano de Turismo (ATB), Sr. Cuthbert Ncube, enfatizou a importância de celebrar e apoiar iniciativas que visam promover o desenvolvimento sustentável na África por meio do turismo.
O Sr. Ncube declarou, em seu discurso de abertura em um jantar de gala na quarta-feira, 20 de agosto, que os povos africanos são capazes de desenvolver o turismo da África em colaboração e em parceria com partes interessadas de outros continentes.
Ele enfatizou a importância de apoiar e promover o desenvolvimento sustentável na África por meio do turismo.
“Precisamos impulsionar o investimento no setor turístico, mas, para isso, nossos governos precisam colocar o turismo no centro da democracia. A conectividade entre destinos africanos e os investimentos em infraestrutura básica são urgentes para criar um ambiente favorável à expansão do setor”, afirmou.
Entre as histórias de sucesso sobre o desenvolvimento do turismo na África apresentadas no ADTIF estava a restauração do Parque Nacional da Gorongosa, tornando-o um exemplo internacionalmente reconhecido de conservação ambiental.
A transformação do Arquipélago de Pazarruta em um centro global para a vida marinha por meio de colaborações inovadoras e a reintrodução dos Big Five no Parque Nacional de Zinaldo para reforçar os padrões de preservação da vida selvagem africana foram outras histórias de sucesso importantes para o desenvolvimento e a promoção do turismo em Moçambique.
A ADTIF, que ocorreu de 20 a 22 de agosto na capital moçambicana, Maputo, foi organizada em parceria com o Conselho Africano de Turismo, a União Africana e o Ministério da Economia de Moçambique. Trata-se de uma cúpula de três dias projetada para traduzir vontade política em ações tangíveis.
O programa do fórum refletiu uma agenda ambiciosa que se concentrou em áreas críticas de políticas políticas e econômicas para o desenvolvimento e a promoção do turismo na África por meio de suas sessões.



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