Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu várias ordens executivas destinadas a aprimorar as regulamentações de imigração, fortalecer a segurança nas fronteiras e refinar os processos de triagem de vistos.
Visitantes de nações da União Europeia (UE) geralmente desfrutam de entrada sem visto nos Estados Unidos por um período de até 90 dias. No entanto, uma série de apreensões recentes na fronteira envolvendo viajantes alemães e britânicos levou os governos europeus a alertar seus cidadãos. Eles também estão investigando se essas detenções recentes foram incidentes isolados ou indicação de uma mudança na política americana.
A Alemanha revisou suas orientações de viagem esta semana e atualmente está alertando seus cidadãos que possuir um visto ou isenção de entrada não garante sua admissão nos Estados Unidos.
O Ministério das Relações Exteriores de Berlim emitiu um alerta aos seus cidadãos sobre as políticas de imigração mais rigorosas implementadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que podem resultar na detenção ou deportação de viajantes.
As autoridades alemãs deixaram claro que mesmo pequenas violações, como exceder a duração de um visto ou fornecer informações de viagem imprecisas, podem levar à deportação imediata ou restrições à entrada futura nos Estados Unidos.
Esta atualização do aviso de viagem para os EUA foi motivada pela detenção de três cidadãos alemães que tentavam entrar nos EUA.
Em um caso, um homem alemão portador de um green card foi detido no aeroporto de Boston na semana passada ao retornar de Luxemburgo. Membros da família relatam que ele permaneceu detido desde então.
Além disso, um cidadão alemão de 25 anos foi detido enquanto tentava cruzar a fronteira do México com sua noiva americana em fevereiro. Ele foi mantido preso por duas semanas antes de ser deportado de volta para a Alemanha.
Além disso, uma mulher de 29 anos que também foi interceptada na fronteira EUA-México em janeiro foi deportada para a Alemanha na semana passada.
Um representante do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha confirma que o ministério está levando essas ocorrências a sério.
O aviso foi modificado para incluir um lembrete de que a aprovação pelo sistema ESTA dos EUA ou a posse de um visto dos EUA não garantem a entrada em todas as situações.
“A decisão final sobre a entrada de uma pessoa nos EUA cabe às autoridades de fronteira dos EUA”, afirmou o porta-voz, acrescentando que um princípio semelhante se aplica às autoridades alemãs.
O Reino Unido revisou suas orientações de viagem para cidadãos que viajam para os Estados Unidos.
As últimas informações para portadores de passaporte do Reino Unido, conforme publicadas pelo Ministério das Relações Exteriores Britânico, aconselham os viajantes a “cumprir todas as condições de entrada, visto e outras condições de entrada”. Elas enfatizam que as autoridades dos EUA estabelecem e aplicam rigorosamente essas regulamentações de entrada, alertando que violações podem resultar em prisão ou detenção.
O site indica que esta orientação foi atualizada pela última vez em 14 de março.
Uma versão anterior da mesma página, de fevereiro, apenas afirmava que “as autoridades dos EUA definem e aplicam regras de entrada”.
No início deste mês, vários meios de comunicação relataram que uma mulher britânica foi mantida por mais de 10 dias na fronteira dos EUA devido a uma potencial violação das condições de seu visto. O Foreign Office confirmou mais tarde que estava oferecendo assistência a um cidadão britânico detido pelas autoridades dos EUA. Alegadamente, a mulher já retornou ao Reino Unido.




Os EUA estão travando uma guerra de turismo e comércio
Os recentes alertas da Alemanha e do Reino Unido sobre viagens aos Estados Unidos destacam um problema crescente: os EUA não estão apenas se envolvendo em guerras comerciais, mas também travando uma guerra turística contra seus aliados. Sob o pretexto de "segurança de fronteira", os EUA estão criando um ambiente hostil para visitantes internacionais, prejudicando sua reputação de país aberto e acolhedor.
Ao deter e deportar arbitrariamente viajantes europeus, os EUA estão usando suas políticas de imigração como arma para impulsionar sua agenda "América em Primeiro Lugar". Essas ações vão além de simples medidas de segurança — são um ataque à livre circulação e à cooperação global. Se aliados como a Alemanha e o Reino Unido estão sendo tratados dessa forma, isso sinaliza para o resto do mundo que os Estados Unidos estão se tornando um parceiro imprevisível e pouco confiável.
Uma má ideia para fronteiras abertas e paz
Os Estados Unidos há muito se apresentam como defensores da democracia e da liberdade, mas suas políticas de viagens cada vez mais restritivas contradizem esses princípios. Fronteiras abertas entre nações aliadas incentivam o intercâmbio cultural, impulsionam economias e fortalecem laços diplomáticos. Ao se fecharem, os EUA estão se isolando dos mesmos países que historicamente os apoiaram.
Além disso, essa repressão aos viajantes não é apenas uma questão turística — ela reflete uma mudança econômica e diplomática mais ampla. O turismo é uma indústria multibilionária, e desencorajar visitantes terá consequências econômicas de longo prazo. Ao mesmo tempo, políticas de entrada rigorosas criam tensões desnecessárias, minando a confiança que manteve as alianças internacionais fortes.
Os EUA precisam perceber que uma mentalidade de fortaleza não os tornará mais seguros — apenas enfraquecerá sua influência e credibilidade. Se continuarem nesse caminho, o mundo poderá em breve começar a tratar os Estados Unidos como um destino indesejável, tanto para viagens quanto para negócios.