TEERÃ / CABUL – O outrora próspero setor de viagens e turismo do Irã, um dos mais antigos setores econômicos do país e uma fonte vital de intercâmbio cultural e empreendimento privado, foi abruptamente paralisado após o recente conflito envolvendo Israel e os Estados Unidos.
O conflito afetou gravemente as viagens internacionais, as peregrinações e o turismo interno, deixando milhares de empresas — principalmente no setor privado — diante de um futuro incerto. Operadoras de turismo, hotéis, guias, empresas de transporte e profissionais da área de hotelaria viram suas reservas desaparecerem quase da noite para o dia. Para muitos empreendedores que dedicaram décadas à construção da indústria do turismo no Irã, apesar de anos de sanções e desafios políticos, a crise mais recente tem sido especialmente devastadora.
Mesmo em meio a essas circunstâncias difíceis, começam a surgir sinais de resiliência.
Um desenvolvimento encorajador veio inesperadamente do vizinho Afeganistão, onde as autoridades anunciaram planos para aprofundar a cooperação turística com o Irã e aproveitar a longa experiência do país em educação na área de hotelaria e gestão de turismo.
Segundo o Ministério da Informação e Cultura do Afeganistão, o vice-ministro da Informação e Cultura, Mawlawi Qudratullah Jamal, reuniu-se em Cabul com o embaixador iraniano Alireza Bigdeli e com o conselheiro cultural do Irã, Seyed Ruhollah Hosseini, para discutir a expansão da cooperação bilateral no setor turístico.
As conversas se concentraram em melhorar as oportunidades de viagem para turistas de ambos os países, facilitando peregrinações religiosas, turismo médico, intercâmbios educacionais e desenvolvendo programas culturais conjuntos com o objetivo de aumentar o fluxo de visitantes por meio de uma coordenação mais estreita.
Reconhecendo as décadas de experiência do Irã em educação turística, Jamal solicitou que o governo iraniano facilitasse programas de treinamento especializado e seminários acadêmicos para professores do Instituto de Turismo e Hotelaria do Afeganistão. A iniciativa permitiria que educadores afegãos se beneficiassem da experiência iraniana em desenvolvimento turístico, gestão hoteleira e planejamento de destinos.
O vice-ministro afegão também anunciou que ambos os países pretendem elaborar um Memorando de Entendimento (MoU) para formalizar a cooperação nas áreas de turismo, cultura, educação e hotelaria.
O embaixador iraniano Alireza Bigdeli acolheu favoravelmente a proposta, enfatizando os profundos laços religiosos, culturais e históricos que unem as duas nações vizinhas.
Ele reafirmou o compromisso do Irã em expandir a cooperação no setor de turismo e peregrinação, afirmando que a troca de experiências profissionais contribuiria para o fortalecimento das indústrias turísticas de ambos os países.
O embaixador anunciou ainda que seminários de formação especializada, ministrados por instrutores iranianos, seriam organizados para professores afegãos das áreas de turismo e hotelaria, em cooperação com instituições relevantes de ambos os países.
Embora as manchetes internacionais continuem focadas nas tensões regionais, a iniciativa demonstra que a diplomacia do turismo permanece viva. Ela também destaca o respeito que o Irã continua a inspirar como líder regional em educação na área da hotelaria, turismo cultural, gestão de peregrinações religiosas e conservação do patrimônio.
Antes do recente conflito, o setor turístico do Irã vinha se recuperando gradualmente dos efeitos da pandemia de COVID-19. O país recebia um número crescente de visitantes de países vizinhos e consolidava sua reputação como destino para turismo cultural, turismo médico, ecoturismo e peregrinação religiosa.
Hoje, porém, grande parte desse progresso foi temporariamente interrompido. As empresas privadas de turismo continuam entre as mais afetadas, com muitos profissionais aguardando o retorno da estabilidade regional antes de retomar as operações.
Apesar dos desafios atuais, muitos no setor turístico iraniano permanecem otimistas. A iniciativa afegã serve como um lembrete de que a expertise, a infraestrutura e o capital humano do país continuam sendo reconhecidos internacionalmente.
Para um setor construído ao longo de gerações, a recuperação levará tempo. No entanto, a disposição dos países vizinhos em fortalecer a cooperação sugere que, quando as condições melhorarem, o setor de turismo do Irã não estará se reconstruindo do zero, mas sim a partir de uma base que ainda inspira confiança e respeito regional.
Para muitos profissionais do turismo iranianos presentes hoje, esse pode ser o sinal mais encorajador de todos.




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